Por Josué de A Soares
“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar,
como se coisa estranha vos acontecesse.” (1 Pedro 4.12)
Introdução
A caminhada cristã, especialmente na vida do
ministro do Evangelho, não está isenta de perigos, lutas e enfrentamentos
espirituais. Pelo contrário, quanto maior a responsabilidade no Reino de Deus,
maiores também são os desafios enfrentados. O cristão fiel, e de forma ainda
mais intensa o obreiro, pode passar por momentos de provação, ser alvo de
seduções do mundo, enfrentar tentações internas e um despertar externo, além de
suportar tribulações que testam sua fé e perseverança.
Essas experiências, embora muitas vezes confundidas
entre si, possuem naturezas distintas e propósitos específicos dentro da
pedagogia divina. Compreender corretamente cada uma delas, à luz das Escrituras
e dos seus significados nos idiomas originais, isto é, no hebraico e grego, é importante para uma
vida espiritual equilibrada e vitoriosa.
1. PROVAÇÃO: O TESTE QUE APERFEIÇOA A FÉ
Na epístola de Tiago está
escrito: “Meus
irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações [provações].”
(Tiago 1.2).
No Grego:
dokímion (δοκίμιον) – prova, teste, algo que é examinado para demonstrar
sua autenticidade. E, no Hebraico:
nissah (נִסָּה) – testar, provar, colocar à prova.
A provação é permitida por Deus com o objetivo de
fortalecer e amadurecer a fé do crente. Diferente da tentação, ela não visa a
queda, mas o crescimento espiritual.
Vemos nas Escrituras como
Abraão em
Gênesis 22 foi provado por Deus quando lhe foi pedido que oferecesse Isaque.
Não era uma armadilha para fazê-lo pecar, mas uma prova de sua obediência e
confiança.
O ministro do Evangelho é frequentemente provado em
sua fidelidade, paciência e caráter. Situações como perseguições, escassez ou
incompreensão podem ser instrumentos divinos para aperfeiçoamento espiritual.
2. SEDUÇÃO: O ENCANTO QUE DESVIA DO CAMINHO
Mencionando mais uma vez, a epístola de Tiago,
lemos: “Cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria
concupiscência.” (Tg 1.14).
O termo
“sedução”, nesta passagem está traduzido para o português como “engodado” ou
mesmo que “seduzido”, que tem o sentido de uma “isca”, usada para atrair peixes
e animais a uma armadilha. Assim, no Grego: exelkō (ἐξέλκω) – atrair para fora,
seduzir. E, no Hebraico: pathah
(פָּתָה) – enganar, seduzir, persuadir de forma enganosa.
Portanto, a sedução está
relacionada ao engano e ao fascínio que o pecado exerce sobre o ser humano. É
um processo sutil, que muitas vezes começa com pequenas concessões.
Na Bíblia temos o exemplo
de Sansão
(Juízes 16) foi seduzido por Dalila. Sua queda não foi imediata, mas
progressiva, até que sua força espiritual foi comprometida.
Como servo de Deus,
líderes e Ministros
do evangelho, precisamos vigiar constantemente, pois a sedução pode vir por
meio de poder, fama, dinheiro ou imoralidade. O perigo está na aparência
inofensiva que oculta consequências devastadoras.
3. TENTAÇÃO: O APELO PARA PECAR
A Epístola de Paulo aos
Coríntios está escrito: “Não veio
sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar
acima do que podeis...” (1 Coríntios 10.13)
No Grego: peirasmós (πειρασμός) –
tentação, teste, prova com possibilidade de queda. Já no Hebraico: frequentemente associado a nissayon
(נִסָּיוֹן), dependendo do contexto.
Assim, a tentação pode ter origem: Interna: natureza pecaminosa,
aquilo que carregamos dentro de nós (Tiago 1.14), entretanto, e também uma ação
vindo de fora, isto é, Externa: uma
influência de Satanás (Mateus 4.1).
Diferente da provação, a tentação tem como objetivo
levar ao pecado. Na Bíblia, temos como exemplo Jesus que foi tentado no deserto
(Mateus 4). Embora tenha enfrentado o tentador, permaneceu sem pecado,
mostrando que é possível vencer pela Palavra de Deus.
Nos dias atuais o cristão
fiel não está
imune à tentação. A vigilância, oração e conhecimento da Palavra são armas
indispensáveis para resistir.
4. TRIBULAÇÃO: A AFLIÇÃO QUE PRODUZ PERSEVERANÇA
Iniciamos este tópico como o seguinte versículo: “No mundo tereis aflições, mas
tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16.33)
A palavra tribulação, que na nossa tradução em
português, neste versículo acima encontra-se como “aflição”, pois no Grego: thlipsis (θλῖψις) –
pressão, aperto, aflição intensa. E no Hebraico:
tsarah (צָרָה) – angústia, aperto, sofrimento.
Assim, podemos compreender que a tribulação
refere-se às aflições externas que o crente enfrenta, muitas vezes decorrentes
de sua fé.
Nas Escrituras o apóstolo Paulo enfrentou inúmeras tribulações (2
Coríntios 11.23-28), mas declarou que elas produziam nele um peso eterno de
glória (2 Coríntios 4.17).
Portanto, a tribulação não é sinal de
abandono divino, mas parte do processo de conformação à imagem de Cristo. O
ministro deve aprender a perseverar mesmo em meio às pressões.
CONCLUSÃO
Importante mencionar que embora frequentemente
associadas, provação, sedução, tentação e tribulação possuem naturezas
distintas:
- Provação vem de Deus para
fortalecer.
- Sedução vem do engano para desviar.
- Tentação visa levar ao pecado.
- Tribulação representa as pressões da
vida cristã.
Discernir essas diferenças é fundamental para uma
vida espiritual madura. O cristão e, especialmente, o ministro do Evangelho,
precisa estar firmado na Palavra, vigilante em oração e dependente do Espírito
Santo.
Por fim, a vitória não está na ausência dessas
experiências, mas na forma como se responde a elas. Como afirmou o apóstolo
Paulo:
“Em todas estas coisas somos mais do que vencedores,
por aquele que nos amou.” (Romanos 8.37)
Amém. Deus seja louvado!
ResponderExcluirVou compartilhar.
ResponderExcluirLevando o conhecimento.
ResponderExcluirAprendendo sempre.
ResponderExcluirBenção de Deus.
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