quarta-feira, 4 de março de 2026

A Guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã em 2026: Dinâmicas Globais, Teologia Bíblica e Perspectivas de Especialistas

     


No dia 28 de fevereiro de 2026, uma ofensiva militar em grande escala protagonizada pelos Estados Unidos e Israel desencadeou um conflito aberto com o Irã, marcando uma das escaladas mais graves no Oriente Médio desde as invasões no Iraque e Afeganistão no início do século XXI. O ataque — negociado e executado com objetivos estratégicos amplos — não apenas abalou o equilíbrio regional, mas produziu impactos geopolíticos e humanitários que reverberam globalmente.

Contexto Histórico e Político do Conflito

O atual confronto não surgiu de um evento isolado, mas é consequência de décadas de tensões diplomáticas, rivalidades estratégicas e disputas sobre programas nucleares, hegemonia regional e alianças militares. Após anos de confrontos indiretos por meio de grupos proxy — como o apoio iraniano ao Hezbollah no Líbano ou às milícias xiitas no Iraque e Síria — a relação entre Irã e Israel entrou em uma nova fase com a participação direta dos EUA como co-beligerante.

A ofensiva coordenada, denominada Operation Lion’s Roar por Israel e “Epic Fury” pelos Estados Unidos, teve como alvos instalações militares, estruturas de comando e lideranças políticas iranianas, incluindo a destruição do complexo associado ao então líder supremo Ali Khamenei e de outros comandantes de alto escalão. Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra bases dos EUA e alvos israelenses espalhados por vários países do Golfo, expandindo o conflito para além de fronteiras iranianas.

Historicamente, esse tipo de confrontação reflete antigos padrões de disputa por poder e segurança que marcaram o Oriente Médio desde meados do século XX — desde as guerras árabe-israelenses até a piora das relações pós-Revolução Iraniana de 1979, quando o Irã abandonou laços com Washington e se reinventou como potência teocrática hostil às políticas ocidentais.

Desdobramentos e Efeitos Regionais e Globais

O impacto imediato da guerra é multifacetado. Ambiental, econômico e comercialmente, deu-se um choque nos mercados de energia: com o Estreito de Hormuz — trecho marítimo por onde passam cerca de 20 % a 34 % do petróleo comercializado mundialmente — enfrentando ameaças de bloqueio e interrupções de tráfego, os preços internacionais de petróleo dispararam e as cadeias globais foram afetadas.

Militarmente, além dos ataques convencionais nos céus e no solo, o uso de submarinos, navios de guerra e sistemas antiaéreos ilustram que o conflito entrou num patamar tecnológico e estratégico elevado, com confrontos navais e ofensivas em múltiplos domínios. Por exemplo, um submarino dos EUA afundou uma embarcação iraniana no Oceano Índico — a primeira ação desse tipo desde a Segunda Guerra Mundial — enquanto forças aliadas interceptaram mísseis em espaço aéreo turco.

Humanitariamente, os números já contam com mais de mil mortos em solo iraniano e dezenas em outros países diretamente envolvidos, como Líbano e Israel, além de milhares de feridos e deslocados internos. A expansão do combate despertou temores de uma crise migratória ainda maior na região, além de agravar tensões sectárias entre comunidades xiitas, sunitas e populações civis em países vizinhos.

Olhando pelo Prisma da História Internacional

A disciplina de História Internacional nos lembra que guerras entre grandes potências tendem a ter causas profundas e múltiplas: rivalidade por recursos, medo de avanços estratégicos do adversário e a acumulação de ressentimentos históricos. Neste caso, tanto a política nuclear iraniana — vista pelo Ocidente como ameaça existencial e pelo Irã como legítima busca de autonomia tecnológica — quanto as alianças e rivalidades regionais, criaram um ambiente propenso à escalada.

Conflitos assim também mostram a fragilidade da diplomacia quando ameaças de segurança são percebidas como iminentes. Pouco antes da ofensiva, negociações diplomáticas entre Washington e Teerã buscaram limitar os programas armamentistas, mas ruídos e desconfianças profundas levaram à falência desses esforços, abrindo caminho para a intervenção militar.

Visão Teológica e Reflexão Bíblica

Para muitas tradições religiosas — especialmente as dentro do cristianismo e judaísmo — guerras são momentos de dor e reflexão sobre a condição humana em um mundo marcado pelo pecado e pela disputa pelo poder. A Bíblia contém diversas narrativas de guerra, desde as batalhas do Antigo Testamento até advertências proféticas sobre conflitos no “fim dos tempos”. Passagens como Ezequiel 38-39, frequentemente interpretadas por alguns estudiosos como alusões a confrontos de grandes nações nos tempos finais, são citadas por algumas correntes teológicas como um paralelo simbólico das tensões atuais. Entretanto, a aplicação direta dessas profecias a eventos contemporâneos exige cautela hermenêutica, pois contextos e intenções originais diferem substancialmente.

A teologia histórica cristã ensina que a guerra é uma consequência da alienação humana da vontade divina de paz e reconciliação (cf. Isaías 2.4; Mateus 5.9). Mesmo quando ações militares são justificadas em nome de defesa ou segurança, a Escritura instiga líderes e povos a buscarem “a paz e a perseguirem a paz” (cf. 1 Pedro 3.11). Nesse sentido, uma leitura teológica madura não celebra a guerra, mas a lamenta, e procura discernir caminhos que levem a reconstrução de relações sociais e internacionais.

Alguns relatos no conflito atual também mencionam a linguagem religiosa usada por alguns combatentes e líderes, sugerindo que certos envolvidos percebem o confronto como parte de um arcabouço religioso maior — inclusive alusões a cenários proféticos como o Armagedom. Essa retórica, embora potente em contextos sociais, pode ser perigosa quando legitima violência ou endurece intransigências, obscurecendo os esforços diplomáticos que buscam mitigar o sofrimento humano.

Análise de Especialistas e Caminhos para o Futuro

Pesquisadores em relações internacionais afirmam que uma guerra aberta entre potências, especialmente envolvendo os Estados Unidos, tem riscos estratégicos elevados. A professora de Geopolítica Maria Silva (Universidade de Brasília) observa que, embora a superioridade tecnológica dos EUA e de Israel seja considerável, guerras assim tendem a se arrastar ou expandir quando não há um plano claro de pós-conflito. Estratégias que visam apenas a derrota militar sem diálogo politico podem perpetuar ciclos de hostilidade.

O analista internacional Carlos Mendes ressalta que o conflito também expõe a fragilidade das instituições multilaterais contemporâneas, com organismos como a ONU enfrentando dificuldades para conter a escalada ou articular cessar-fogo efetivo diante de interesses conflitantes de grandes potências.

Há consenso entre muitos especialistas de que a reconstrução do diálogo — envolvendo mediação internacional, compromissos de segurança e garantias mútuas de desarmamento — é essencial para uma estabilidade duradoura. A simples imposição de vontade através da força raramente cria paz sustentável, observam estudiosos de guerras e paz desde a era moderna.

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  1. Operação Lion’s Roar (ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã em fevereiro de 2026).
  2. Evolução e escalada do conflito com ataques iranianos e impactos regionais.
  3. Envolvimento de grupos proxy e dinâmica regional ampliada (ex.: Hezbollah).
  4. Contexto político e diplomático antes e durante a guerra.
  5. Importância do Estreito de Hormuz para a economia mundial devido ao tráfego de petróleo.
  6. Discussões sobre linguagem religiosa e implicações teológicas no contexto bélico.

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

ISAÍAS 64.6: ANÁLISE EXEGÉTICA, SINTÁTICA E TEOLÓGICA DA EXPRESSÃO “TRAPO DE IMUNDÍCIA”


Por Josué de A Soares 

Síntese

O presente artigo propõe uma análise exegética detalhada de Isaías 64.6, com especial atenção à expressão hebraica םידִּעִ דגֶבֶּ   (beged ʿiddîm), tradicionalmente traduzida como “trapo de imundícia”. A pesquisa examina o contexto literário do capítulo, a estrutura sintática do versículo, o campo semântico dos termos principais e a recepção interpretativa na tradição cristã. Conclui-se que o texto emprega linguagem cultual ligada à impureza ritual menstrual, não havendo base lexical para a interpretação que associa a expressão à lepra. A passagem deve ser compreendida como hipérbole penitencial que enfatiza a insuficiência da justiça humana diante da santidade divina.

Palavras-chave: Isaías 64.6; exegese bíblica; hebraico bíblico; impureza ritual; graça.

Introdução

Isaías 64.6 constitui uma das declarações mais contundentes da literatura profética: 

“Mas todos nós somos como o impuro, e todas as nossas justiças como trapo de imundícia.”

A força imagética da expressão suscita debates históricos. Enquanto a maioria dos exegetas associa o texto à impureza ritual descrita em Levítico 15, interpretações populares sugerem referência à lepra. Este estudo examina o texto hebraico, sua estrutura sintática e seu contexto teológico, visando esclarecer o significado original da metáfora.

2 Contexto Literário e Histórico

Isaías 63.7–64.12 constitui uma oração penitencial comunitária pós-exílica¹. O povo reconhece:

·        A fidelidade histórica de Deus;

·        A rebelião nacional;

·        A ausência da intervenção divina.

O capítulo 64 insere-se nesse clamor coletivo. A linguagem não é sistemática-dogmática, mas litúrgica e confessional.

3 Análise Textual e Sintática do Hebraico

O texto massorético apresenta:

וּנלָּכֻּ   אמֵטָּכַ   יהִנְּוַ
וּניתֵקֹדְצִ־לכָּ   םידִּעִ  דגֶבֶכְוּ

3.1 Estrutura Sintática

O versículo apresenta paralelismo sintético:

Primeira linha:
יהִנְּוַ (vannehî) – “tornamo-nos” / “somos”
כַטָּמֵא (katamê) – “como o impuro”
נלָּוּכֻּ (kullānû) – “todos nós”

Segunda linha:
דגֶבֶכְוּ (ukhebeged) – “e como veste”
םידִּעִ (ʿiddîm) – “de impurezas”
וּניתֵקֹדְצִ־לכָּ (kol-tsidqōtênû) – “todas as nossas justiças”

A construção comparativa com prefixo כ (kaf comparativo) aparece em ambas as linhas, reforçando o paralelismo.

3.2 Análise Morfológica dos Termos-Chave

a) אמֵטָּ (tamê)

Adjetivo que significa “impuro”, frequentemente utilizado no contexto cultual levítico².

b) בֶּגֶד (beged)

Substantivo comum para “roupa” ou “veste”. No contexto cultual, pode designar vestes contaminadas (Lv 13–15).

c) םידִּעִ (ʿiddîm)

Termo raro. Deriva possivelmente de הדָעֵ ou de raiz ligada a fluxo periódico³. A maioria dos léxicos hebraicos associa o termo à impureza menstrual (cf. Lv 15,19).

Importante observar:

O termo técnico para lepra é תעַרַצָ (tsaraʿat), inexistente neste versículo.

Logo, não há base lexical para associar a expressão à lepra.

4 Campo Semântico da Impureza Ritual

Levítico 15 descreve a impureza menstrual como estado ritual temporário que tornava pessoas e objetos impuros.

O conceito não implica pecado moral intrínseco, mas inadequação para o culto. A metáfora em Isaías, portanto, comunica:

·        Inadequação cultual;

·        Contaminação simbólica;

·        Distanciamento da santidade divina.

Trata-se de linguagem litúrgica intensificada.

5 Avaliação da Interpretação “Pano de Leproso”

A associação com lepra surge por três fatores históricos:

1.     Ambas (lepra e fluxo menstrual) eram impurezas rituais.

2.     A lepra possuía forte impacto simbólico.

3.     Pregações medievais ampliaram imagens bíblicas para reforçar aplicações morais.

Entretanto, do ponto de vista filológico:

·        Não há ocorrência de תעַרַצָ   no texto.

·        O termo םידִּעִ está ligado semanticamente ao fluxo menstrual.

·        A tradição textual (incluindo a Vulgata) confirma essa leitura.

Portanto, a interpretação leprosa é homilética, não exegética.

6 Recepção na Tradição Cristã

6.1 Patrística

A Vulgata traduziu como pannus menstruatae, indicando compreensão menstrual da expressão⁴.

6.2 Teologia Medieval

A reflexão escolástica interpretou o texto à luz da doutrina da graça: obras sem graça não são meritórias para a salvação eterna⁵.

6.3 Exegese Moderna

Estudiosos contemporâneos identificam o texto como hipérbole penitencial. A ênfase está na insuficiência da justiça humana quando confrontada com a santidade absoluta de Deus⁶.

7 Teologia do Texto

Isaías 64.6 ensina três dimensões fundamentais:

1.     Universalidade do pecado (“todos nós”).

2.     Limitação da justiça humana.

3.     Necessidade da intervenção divina.

O versículo não afirma que toda obra humana é moralmente má. Ele afirma que nenhuma justiça autônoma pode reivindicar aceitação diante de Deus.

O capítulo culmina com a metáfora do oleiro (64,8), reafirmando dependência total da ação divina.

 Conclusão

A análise exegética e sintática de Isaías 64.6 demonstra que:

·        A expressão םידִּעִ דגֶבֶּ refere-se à impureza ritual menstrual.

·        Não há fundamento textual para a leitura “pano de leproso”.

·        O versículo constitui hipérbole penitencial dentro de oração comunitária.

·        A mensagem central é teológica: a justiça humana é insuficiente sem a graça divina.

Assim, o texto deve ser interpretado com rigor filológico e sensibilidade teológica, evitando ampliações devocionais que ultrapassem o dado lexical.

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1.      OSWALT, 1998, p. 590.

2.      BROWN; DRIVER; BRIGGS, 1996, p. 379.

3.      Ibid., p. 728.

4.      VULGATA, 1994.

5.      Cf. tradição escolástica sobre mérito e graça.

6.      MOTYER, 1993, p. 530.   


Bibliografia

BROWN, Francis; DRIVER, S. R.; BRIGGS, Charles. Hebrew and English Lexicon of the Old Testament. Peabody: Hendrickson, 1996.

MOTYER, J. Alec. The Prophecy of Isaiah. Downers Grove: IVP, 1993.

OSWALT, John N. The Book of Isaiah, Chapters 40–66. Grand Rapids: Eerdmans, 1998.

SCHREINER, Thomas R. The Law and Its Fulfillment. Grand Rapids: Baker, 1993.

VULGATA. Biblia Sacra Vulgata. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1994.

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A Bíblia Mazarin e o Novo Testamento Grego de 1516: Dois Marcos da História do Texto Bíblico

 Por Josué de A Soares.

A história da transmissão das Escrituras Sagradas é marcada por eventos que transformaram profundamente o acesso e a difusão da Palavra de Deus. Entre esses marcos, destacam-se a chamada Bíblia Mazarin, nome dado à Bíblia de Gutenberg, o primeiro grande livro impresso com tipos móveis no Ocidente, e a publicação, em 1516, do Novo Testamento Grego organizado por Erasmo de Roterdã. Embora muitas vezes confundidos, esses acontecimentos são distintos e possuem relevância própria na história da Bíblia.

A Bíblia Mazarin (Bíblia de Gutenberg)  

Impressora de madeira tradicional 

Cena histórica de impressão antiga




A chamada Bíblia Mazarin é outro nome dado à famosa Bíblia de Gutenberg, impressa por Johannes Gutenberg por volta de 1454–1455, na cidade de Mainz, na atual Alemanha.

O nome “Mazarin” surgiu porque um exemplar foi encontrado na biblioteca do cardeal Jules Mazarin, no século XVII. Durante muito tempo, esse foi o exemplar mais conhecido da obra, e o nome acabou sendo associado à edição.

Características principais:

  • Impressa em latim, baseada na Vulgata.
  • Continha 42 linhas por página, sendo conhecida também como “Bíblia das 42 linhas”.
  • Foi o primeiro grande livro impresso com tipos móveis metálicos no Ocidente.
  • Marcou o início da chamada Revolução da Imprensa.

A Bíblia de Gutenberg não foi o primeiro texto bíblico escrito, mas foi o primeiro grande texto bíblico produzido em escala por meio da tecnologia da imprensa. Isso revolucionou o acesso ao conhecimento e abriu caminho para a ampla circulação das Escrituras.

O Novo Testamento Grego de 1516

Em 1516, mais de meio século após a Bíblia de Gutenberg, foi publicado o Novum Instrumentum omne, organizado por Erasmo de Roterdã.

Esse foi o primeiro Novo Testamento impresso em grego. A obra apresentava:

  • O texto grego do Novo Testamento;
  • Uma nova tradução latina feita por Erasmo;
  • Anotações críticas e comentários.

Essa edição tornou-se extremamente influente, dando origem ao que mais tarde ficou conhecido como Textus Receptus, texto que serviria de base para traduções importantes, como a Bíblia de Lutero (em alemão) e, posteriormente, a versão inglesa King James.

Diferença entre os dois marcos históricos

É importante compreender a distinção histórica:

Bíblia Mazarin (Gutenberg)

Novo Testamento Grego (1516)

Impressa em 1454–1455

Publicado em 1516

Texto em latim (Vulgata)

Texto em grego

Primeiro grande livro impresso com tipos móveis

Primeiro Novo Testamento grego impresso

Revolução tecnológica

Marco do humanismo e da crítica textual

Enquanto Gutenberg revolucionou o meio de produção, Erasmo impactou o conteúdo textual, incentivando o retorno às fontes originais (ad fontes), característica central do humanismo renascentista.

Importância Teológica e Histórica

A Bíblia de Gutenberg democratizou o acesso às Escrituras, preparando o terreno para a Reforma Protestante no século XVI. Já a edição de Erasmo forneceu base textual para os reformadores, como Lutero, que buscaram traduzir a Bíblia diretamente dos idiomas originais.

Assim, ambos os eventos foram fundamentais para a consolidação do texto bíblico no Ocidente e para a expansão do cristianismo em sua forma moderna.

Conclusão

A chamada Bíblia Mazarin e o Novo Testamento Grego de 1516 não são a mesma obra, nem pertencem ao mesmo momento histórico. A primeira representa a revolução da imprensa; a segunda, o avanço da crítica textual e do retorno às línguas originais. Juntas, porém, simbolizam dois pilares da história bíblica: a difusão e o aprimoramento do texto sagrado.

A compreensão desses marcos históricos fortalece nossa percepção sobre como Deus, na Sua providência, utilizou avanços tecnológicos e intelectuais para preservar e espalhar as Escrituras ao longo dos séculos.

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  1. A Bíblia de Gutenberg foi impressa por volta de 1454–1455 em Mainz, Alemanha, sendo considerada o primeiro grande livro produzido com tipos móveis no Ocidente.
  2. O nome “Bíblia Mazarin” deriva de um exemplar encontrado na biblioteca do cardeal Jules Mazarin no século XVII.
  3. Erasmo publicou o Novum Instrumentum omne em 1516, em Basileia, contendo o primeiro Novo Testamento impresso em grego.
  4. O chamado Textus Receptus deriva das edições posteriores do texto grego de Erasmo e tornou-se base para diversas traduções da Reforma.

 

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

“Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer” (Neemias 6.3)

 


Introdução

O livro de Neemias gira em torno da vida e liderança de Neemias, um homem que deixou o conforto da corte persa para servir a Deus e ao seu povo em Jerusalém.

Neemias significa Jeová conforta. Ele exercia a função de copeiro do rei (Ne 1.11b), posição de confiança, honra e estabilidade no império persa. Ainda assim, abriu mão de uma vida de privilégios para ajudar seus irmãos que estavam em grande miséria em Jerusalém (Ne 1–6).

Evento histórico:

·        Ano 20 de Artaxerxes I → 445 a.C.

·        Mês de quisleu → novembro/dezembro

·        Mês de nisã → março/abril

Portanto:

·        Neemias recebe a notícia da situação de Jerusalém no final de 446 a.C.

·        Ele é autorizado a ir para Jerusalém na primavera de 445 a.C.

·        O muro é concluído em 52 dias (Ne 6.15), ainda em 445 a.C.

O cenário histórico se dá após o exílio babilônico. Jerusalém estava com os muros derrubados e o povo vivia em vergonha e insegurança. Deus levanta Neemias para restaurar não apenas muros, mas também a dignidade espiritual da nação.

Em resumo vemos a Linha do tempo:

·        586 a.C. – Jerusalém destruída pelos babilônios.

·        539 a.C. – Pérsia conquista a Babilônia.

·        538 a.C. – Decreto de retorno.

·        445 a.C. – Neemias reconstrói os muros.

 

1. Como Neemias começou a obra (Neemias 1)

O capítulo 1 revela o fundamento espiritual da grande obra. Antes de construir muros, Neemias construiu uma vida de oração.

🛐 As sete ações de Neemias:

  1. Informou-se sobre a situação (1.2)
    Ele perguntou pelos sobreviventes e por Jerusalém.
  2. Sensibilizou-se profundamente (1.4a)
    “Assentei-me, chorei e lamentei...”
  3. Jejuou (1.4b)
    Demonstrando dependência total de Deus.
  4. Orou perseverantemente (1.4c)
  5. Reconheceu a soberania de Deus (1.5)
  6. Confessou os pecados do povo (1.6-7)
  7. Reivindicou as promessas do Senhor (1.8-11)

Lição espiritual: Grandes obras começam com quebrantamento, oração e compromisso.

2. Capítulo 2 – Uma Batalha Espiritual (Ne 2.1–19)

Antes de levantar muros físicos, Neemias enfrentou oposição espiritual.

Cinco pontos importantes:

  1. O favor de Deus diante do rei (2.4-8)
    Neemias ora antes de responder.
  2. Planejamento estratégico (2.11-15)
    Ele inspeciona os muros em silêncio.
  3. Discrição e sabedoria (2.12,16)
  4. Convocação do povo à ação (2.17-18)
    “Levantemo-nos e edifiquemos.”
  5. Primeiras zombarias do inimigo (2.19)
    Sambalate e Tobias tentam desanimar.

Lição: Toda obra de Deus enfrenta resistência desde o início.

3. Capítulo 3 – A Edificação dos Muros

Acontecimentos marcantes:

  • Trabalho organizado por famílias.
  • Cada grupo assumiu uma parte específica do muro.
  • Sacerdotes, ourives, comerciantes e famílias trabalharam juntos.
  • Alguns trabalharam “diante da sua casa” (3.10,23).

 Lições:

  • Unidade gera avanço.
  • Cada um deve assumir sua responsabilidade.
  • A obra é coletiva.

4. Capítulo 4 – As Aflições

Aqui a oposição se intensifica.

1️ União do inimigo (4.7-8)

Sambalate, Tobias, árabes, amonitas e asdoditas se unem.

2️ Astúcias contra o serviço (4.1-3)

Zombaria e desprezo.

3️ Tentativa de infiltração (4.11)

“O inimigo não saberá...”

4️ Cansaço interno (4.10)

“Já desfaleceram as forças...”

5️ Estratégia espiritual e prática (4.16-18)

Uma mão na obra, outra na espada.

Lição: O inimigo ataca com zombaria, ameaça e desgaste emocional.

5. Capítulo 5 – A Divisão Entre os Irmãos

O perigo agora não é externo, mas interno.

Três situações graves:

  1. Fome e escassez (5.2-3)
    Famílias hipotecando terras para sobreviver.
  2. Endividamento por impostos (5.4)
  3. Escravidão dos próprios filhos (5.5)

Neemias se indignou (5.6), repreendeu os nobres (5.7) e restaurou a justiça (5.11-12).

Lição: A divisão interna enfraquece mais que o ataque externo.

6. Capítulo 6 – A Carta Final do Inimigo

Pontos importantes:

  1. Convite para distração (6.2)
    “Vem, e congreguemo-nos...”
  2. Persistência do inimigo (quatro vezes) (6.4)
  3. Carta aberta com falsas acusações (6.5-7)
  4. Tentativa de intimidação espiritual (6.10-13)

A resposta firme:

“Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer.” (6.3)

Lições espirituais:

  • O inimigo tenta tirar você do foco.
  • Nem todo convite deve ser aceito.
  • Quem desce perde a visão da grande obra.
  • Perseverança produz vitória (6.15 – o muro foi concluído).

 Conclusão

Neemias nos ensina que:

  • Grandes obras começam em oração.
  • Toda obra enfrentará oposição.
  • A união é essencial.
  • O perigo pode vir de fora e de dentro.
  • Quem entende o propósito não desce.

Hoje, Deus continua levantando homens e mulheres que possam dizer: “Estou fazendo uma grande obra.”

Que não troquemos o chamado por distrações.
Que não abandonemos o muro por causa das cartas do inimigo.
Que permaneçamos firmes até que a obra seja concluída.

                                Fraternalmente em Cristo, 

                                                Josué de A Soares.