segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O Púlpito nos últimos tempos: entre o espetáculo e a Palavra

 

“Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, repreende, exorta, com toda longanimidade e doutrina.” (2 Timóteo 4.2)

O púlpito sempre foi lugar santo. Não pela madeira, pela forma ou pela elevação física, mas pela responsabilidade espiritual que ele representa. É do púlpito que a Igreja ouve a Palavra de Deus sendo anunciada, interpretada e aplicada à vida. Entretanto, nos últimos tempos, torna-se cada vez mais evidente que muitos púlpitos têm se afastado do seu propósito bíblico, substituindo a centralidade das Escrituras por discursos voltados ao entretenimento, à performance e à busca de resultados imediatos.

À luz da Bíblia, a pregação jamais foi chamada para agradar plateias ou construir celebridades religiosas. Ela existe para revelar a vontade de Deus, confrontar o pecado, anunciar a graça redentora em Cristo e formar discípulos maduros. Quando o púlpito perde essa consciência, perde-se também a visão do cristianismo bíblico, comprometido com a verdade, a simplicidade e o temor do Senhor.

A pregação bíblica: Cristo no centro e a Escritura como autoridade

A pregação no Novo Testamento era marcada por três fundamentos inegociáveis: fidelidade ao texto sagrado, dependência do Espírito Santo e clareza na aplicação prática. Pedro pregou a Palavra e os ouvintes foram compungidos no coração (At 2.37). Paulo declarou todo o conselho de Deus sem omissão (At 20.27). Em nenhum desses casos a mensagem foi moldada ao gosto do público, mas à vontade do Senhor.

A verdadeira pregação bíblica não é fria nem superficial. Ela é simples, mas profunda; acessível, mas teologicamente responsável; ungida, mas alicerçada na Escritura. A simplicidade do Evangelho não empobrece a mensagem, antes a torna compreensível e transformadora. O problema surge quando a Bíblia deixa de ser a fonte do sermão e passa a ser apenas um adorno ocasional. Nesse cenário, há emoção, mas pouca transformação; há aplauso, mas pouco arrependimento.

A crise da visão cristã nos púlpitos contemporâneos

O que se percebe em muitos contextos eclesiásticos é uma crise silenciosa: a substituição da verdade revelada pela conveniência cultural. Temas essenciais como arrependimento, santidade, cruz, renúncia e juízo eterno têm sido evitados em nome de uma mensagem mais “leve” e aceitável. Todavia, um Evangelho que não confronta o pecado também não conduz à verdadeira conversão.

O cristianismo bíblico sempre foi contracultural. Jesus não suavizou Sua mensagem para manter multidões; Ele proclamou a verdade, mesmo quando isso resultou em abandono (Jo 6.66). A Igreja não perde relevância quando permanece fiel à Palavra; ela perde identidade quando abre mão dela.

Vozes pentecostais e o chamado ao retorno à Palavra

Dentro da tradição pentecostal, muitos líderes têm levantado um clamor pelo retorno à pregação bíblica equilibrada, onde Palavra e Espírito caminham juntos. O saudoso Pr. Antônio Gilberto afirmava que a verdadeira unção jamais contradiz a Escritura, mas a confirma. Para ele, não existe avivamento genuíno sem Bíblia aberta e bem ensinada.

O Pr. Esequias Soares reforça que o pregador é um intérprete fiel do texto sagrado, não um criador de mensagens. Já o Pr. José Wellington Bezerra da Costa tem reiterado que o crescimento saudável da Igreja depende da união entre expansão missionária e sã doutrina, pois números sem fundamento bíblico produzem fragilidade espiritual.

Nesse mesmo espírito, o Bispo Abner Ferreira, em suas ministrações, frequentemente adverte que o maior risco da pregação contemporânea não é a escassez de recursos, mas a perda do temor diante da Palavra de Deus. Segundo sua ênfase pastoral, o púlpito não é espaço para experiências pessoais desconectadas das Escrituras, nem para discursos vazios de arrependimento.

O Bispo Abner ressalta que quem sobe ao púlpito precisa ter consciência de que está lidando com vidas e com a Palavra do Deus vivo, e não apenas comunicando ideias. Para ele, a autoridade espiritual do pregador não reside na eloquência, mas na fidelidade bíblica e na coerência entre mensagem e vida. Uma pregação sem fundamento nas Escrituras pode até gerar entusiasmo momentâneo, mas jamais produzirá transformação duradoura.

Essa compreensão reflete a essência do pentecostalismo histórico: fogo do Espírito sustentado pela Palavra. Onde há emoção sem Bíblia, há confusão; onde há letra sem o Espírito Santo, há frieza. A Igreja é edificada quando ambos permanecem em harmonia.

Um chamado urgente aos púlpitos dos nossos dias

Mais do que inovação, os púlpitos precisam de retorno. Retorno à Bíblia lida com reverência, explicada com fidelidade e aplicada com amor. Retorno à simplicidade do Evangelho que anuncia Cristo crucificado, ressuscitado e glorificado. Retorno à pregação que forma caráter, produz arrependimento e gera maturidade espiritual.

O púlpito não precisa de novos modismos, mas de fundamentos antigos e eternos. Quando a Palavra volta ao centro, o Espírito Santo age com liberdade, a Igreja cresce com saúde e o mundo reconhece a diferença. Que os púlpitos dos últimos tempos sejam novamente lugares de verdade, temor e graça, onde se fale menos do homem e mais de Cristo, menos de promessas fáceis e mais do Reino eterno.

Pois, como afirma a própria Escritura: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10.17).

                                            Fraternalmente, 

                                        Josué de A Soares

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