“Prega a
palavra, insta a tempo e fora de tempo, repreende, exorta, com toda
longanimidade e doutrina.” (2 Timóteo 4.2)
O púlpito sempre foi lugar santo. Não pela madeira,
pela forma ou pela elevação física, mas pela responsabilidade espiritual que ele representa. É do púlpito que a
Igreja ouve a Palavra de Deus sendo anunciada, interpretada e aplicada à vida.
Entretanto, nos últimos tempos, torna-se cada vez mais evidente que muitos
púlpitos têm se afastado do seu propósito bíblico, substituindo a centralidade das Escrituras por
discursos voltados ao entretenimento, à performance e à busca de resultados
imediatos.
À luz da Bíblia, a pregação jamais foi chamada para
agradar plateias ou construir celebridades religiosas. Ela existe para revelar a vontade de Deus, confrontar
o pecado, anunciar a graça redentora em Cristo e formar discípulos maduros.
Quando o púlpito perde essa consciência, perde-se também a visão do cristianismo
bíblico, comprometido com a verdade, a simplicidade e o temor do Senhor.
A pregação bíblica: Cristo no
centro e a Escritura como autoridade
A pregação no Novo Testamento era marcada por três
fundamentos inegociáveis: fidelidade ao
texto sagrado, dependência do
Espírito Santo e clareza na
aplicação prática. Pedro pregou a Palavra e os ouvintes foram
compungidos no coração (At 2.37). Paulo declarou todo o conselho de Deus sem
omissão (At 20.27). Em nenhum desses casos a mensagem foi moldada ao gosto do
público, mas à vontade do Senhor.
A verdadeira pregação bíblica não é fria nem
superficial. Ela é simples, mas
profunda; acessível, mas
teologicamente responsável; ungida,
mas alicerçada na Escritura. A simplicidade do Evangelho não empobrece a
mensagem, antes a torna compreensível e transformadora. O problema surge quando
a Bíblia deixa de ser a fonte do sermão e passa a ser apenas um adorno
ocasional. Nesse cenário, há emoção, mas pouca transformação; há aplauso, mas
pouco arrependimento.
A crise da visão cristã nos
púlpitos contemporâneos
O que se percebe em muitos contextos eclesiásticos
é uma crise silenciosa: a substituição da verdade revelada pela conveniência
cultural. Temas essenciais como arrependimento, santidade, cruz,
renúncia e juízo eterno têm sido evitados em nome de uma mensagem mais “leve” e
aceitável. Todavia, um Evangelho que não confronta o pecado também não conduz à
verdadeira conversão.
O cristianismo bíblico sempre foi contracultural.
Jesus não suavizou Sua mensagem para manter multidões; Ele proclamou a verdade,
mesmo quando isso resultou em abandono (Jo 6.66). A Igreja não perde relevância
quando permanece fiel à Palavra; ela perde identidade quando abre mão dela.
Vozes pentecostais e o chamado ao
retorno à Palavra
Dentro da tradição pentecostal, muitos líderes têm
levantado um clamor pelo retorno à pregação bíblica equilibrada, onde Palavra e Espírito caminham juntos. O
saudoso Pr. Antônio Gilberto
afirmava que a verdadeira unção jamais contradiz a Escritura, mas a confirma.
Para ele, não existe avivamento genuíno sem Bíblia aberta e bem ensinada.
O Pr.
Esequias Soares reforça que o pregador é um intérprete fiel do texto
sagrado, não um criador de mensagens. Já o Pr. José Wellington Bezerra da Costa tem reiterado que o
crescimento saudável da Igreja depende da união entre expansão missionária e sã doutrina, pois números sem fundamento
bíblico produzem fragilidade espiritual.
Nesse mesmo espírito, o Bispo Abner Ferreira, em suas ministrações, frequentemente adverte
que o maior risco da pregação contemporânea não é a escassez de recursos, mas a
perda do temor diante da Palavra de
Deus. Segundo sua ênfase pastoral, o púlpito não é espaço para
experiências pessoais desconectadas das Escrituras, nem para discursos vazios
de arrependimento.
O Bispo Abner ressalta que quem sobe ao púlpito
precisa ter consciência de que está lidando com vidas e com a Palavra do
Deus vivo, e não apenas comunicando ideias. Para ele, a autoridade
espiritual do pregador não reside na eloquência, mas na fidelidade bíblica e na
coerência entre mensagem e vida. Uma pregação sem fundamento nas Escrituras pode
até gerar entusiasmo momentâneo, mas jamais produzirá transformação duradoura.
Essa compreensão reflete a essência do
pentecostalismo histórico: fogo do
Espírito sustentado pela Palavra. Onde há emoção sem Bíblia, há
confusão; onde há letra sem o Espírito Santo, há frieza. A Igreja é edificada
quando ambos permanecem em harmonia.
Um chamado urgente aos púlpitos
dos nossos dias
Mais do que inovação, os púlpitos precisam de retorno. Retorno à Bíblia lida com
reverência, explicada com fidelidade e aplicada com amor. Retorno à
simplicidade do Evangelho que anuncia Cristo crucificado, ressuscitado e
glorificado. Retorno à pregação que forma caráter, produz arrependimento e gera
maturidade espiritual.
O púlpito não precisa de novos modismos, mas de fundamentos antigos e eternos. Quando
a Palavra volta ao centro, o Espírito Santo age com liberdade, a Igreja cresce
com saúde e o mundo reconhece a diferença. Que os púlpitos dos últimos tempos
sejam novamente lugares de verdade,
temor e graça, onde se fale menos do homem e mais de Cristo, menos de
promessas fáceis e mais do Reino eterno.
Pois, como afirma a própria Escritura: “A fé vem
pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10.17).
Fraternalmente,
Josué de A Soares
Bom artigo.
ResponderExcluirParabéns professor.
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