Por Josué de A Soares.
O Brasil vai às urnas neste 4 de outubro de 2026 carregando muito mais do que títulos eleitorais. Carrega expectativas, frustrações, esperanças e uma pergunta que não pode ser adiada: que país queremos construir nos próximos anos?
Mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar. O tamanho desse eleitorado revela a dimensão da responsabilidade colocada sobre cada cidadão. Não se trata simplesmente de escolher um nome para ocupar o Palácio do Planalto. Trata-se de decidir quais prioridades, quais valores e quais caminhos deverão orientar o país.
A eleição, portanto, não pode ser reduzida à velha disputa entre "nós" e "eles". O Brasil é maior que qualquer partido, candidato ou grupo político.
O eleitor está cobrando respostas
O atual governo chega às urnas carregando realizações que seus apoiadores apresentam como resultados de sua administração, mas também enfrenta críticas importantes de parcela expressiva da sociedade.
As pesquisas mais recentes mostram um país dividido. O Datafolha, na reta final do primeiro turno, registrou 41% de avaliação negativa do governo Lula, 35% positiva e 24% regular. A aprovação e a desaprovação do presidente também apareciam praticamente empatadas.
Esses números deveriam servir menos para alimentar comemorações ou indignações partidárias e mais para produzir reflexão.
Quando quase metade do país desaprova o governo e outra parcela o aprova, a mensagem que emerge das urnas e das pesquisas não é simplesmente de vitória de um lado ou derrota do outro. É a mensagem de uma sociedade que continua procurando respostas.
O cidadão quer saber se terá segurança para sair de casa, emprego para sustentar sua família, atendimento digno na saúde, educação capaz de preparar seus filhos e condições econômicas para planejar o futuro.
E há uma questão que não pode ser ignorada: quanto o Estado pode gastar, quanto o cidadão pode pagar e quais resultados efetivamente recebe em troca?
Responsabilidade fiscal não deveria ser uma bandeira exclusiva de determinado campo ideológico. Da mesma maneira, políticas sociais não deveriam ser tratadas como patrimônio exclusivo de um partido.
O Brasil precisa de proteção aos vulneráveis, mas também precisa criar condições para que as pessoas possam caminhar com as próprias pernas.
O próximo presidente receberá uma cobrança maior
Quem assumir a Presidência encontrará um país que não quer apenas discursos.
O brasileiro está cansado de promessas que desaparecem depois das eleições. Quer resultados.
A segurança pública precisa deixar de ser tratada apenas como tema eleitoral e tornar-se uma prioridade permanente. A educação precisa recuperar qualidade e autoridade. A saúde precisa funcionar para quem depende dela. O empreendedor precisa encontrar menos obstáculos. O trabalhador precisa perceber que seu esforço vale a pena. E o dinheiro público precisa ser tratado com seriedade.
É necessário também fortalecer as instituições e preservar o equilíbrio entre os Poderes.
Uma democracia madura não pode depender da existência de um líder permanente, de uma ideologia dominante ou de uma personalidade política capaz de dividir o país em dois campos irreconciliáveis.
Governos passam. O Brasil permanece.
Essa deveria ser uma das principais lições desta eleição.
O voto cristão não pode ser voto de idolatria política
Há ainda uma dimensão que merece atenção especial: a participação dos cristãos na vida pública.
O eleitorado evangélico possui peso relevante no cenário eleitoral brasileiro, mas seria um erro imaginar que todos os cristãos pensam politicamente da mesma maneira. Pesquisa PoderData/Aya mostrou que 63% dos entrevistados consideravam a religião do candidato pouco ou nada importante para decidir o voto, enquanto 31% atribuíam atribuíam importância a esse fator.
Isso deveria provocar uma reflexão dentro das próprias igrejas.
O cristão não precisa abandonar suas convicções para participar da política. Pelo contrário. Valores como responsabilidade, honestidade, defesa da vida, liberdade religiosa, família, justiça, trabalho e cuidado com os necessitados podem contribuir para uma sociedade mais responsável.
Mas existe um limite que não deveria ser ultrapassado: nenhum político pode ocupar o lugar que pertence a Deus.
O cristão pode votar em um candidato, apoiá-lo ou discordar dele. Pode reconhecer seus méritos e apontar seus erros. Mas não deveria transformar político em salvador, partido em igreja ou eleição em batalha espiritual.
A fé cristã exige consciência, discernimento e responsabilidade.
O voto cristão precisa ser livre e consciente, não manipulado pelo medo, pela idolatria política ou pela demonização do adversário.
Um país, vários Brasis
As diferenças regionais também revelam a complexidade do eleitor brasileiro.
O Nordeste continua apresentando um comportamento eleitoral bastante distinto do Sul. O Sudeste, por sua vez, concentra a maior parcela do eleitorado nacional e pode assumir papel decisivo na composição do cenário político. Os dados oficiais mostram que o Sudeste reúne 41,78% dos eleitores brasileiros, enquanto o Nordeste representa 27,42%.
Isso significa que o próximo governo não poderá governar olhando apenas para uma região, uma classe social ou um segmento ideológico.
O Brasil não é somente Brasília, São Paulo ou Rio de Janeiro. É também o pequeno comerciante do interior, o agricultor, o trabalhador urbano, o profissional liberal, o professor, o policial, o jovem que procura o primeiro emprego e a família que luta todos os meses para fechar suas contas.
Um projeto verdadeiramente nacional precisa enxergar todos esses brasileiros.
O que deve permanecer e o que precisa mudar?
Talvez esta seja a pergunta mais madura que o eleitor possa fazer.
Nem tudo precisa ser destruído para que alguma coisa nova seja construída.
Aquilo que funciona deve ser preservado. Aquilo que fracassa precisa ser corrigido. Aquilo que produz dependência permanente precisa ser repensado. Aquilo que gera oportunidades deve ser ampliado.
O país precisa enfrentar a corrupção e o desperdício de recursos públicos. Precisa melhorar a segurança. Precisa elevar a qualidade da educação. Precisa estimular o trabalho, o empreendedorismo e a produção. Precisa controlar suas contas. Precisa reduzir desigualdades sem transformar o cidadão em dependente eterno do Estado.
E precisa, sobretudo, recuperar algo que a polarização política vem corroendo: a capacidade de conversar com quem pensa diferente.
Discordância não é crime. Crítica não é ódio. Oposição não é inimigo.
Uma democracia saudável precisa de governo e oposição. Precisa de imprensa livre, instituições independentes, cidadãos vigilantes e governantes sujeitos à crítica.
A urna não resolve tudo
Existe uma perigosa ilusão de que a eleição, por si só, resolverá os problemas do Brasil.
Não resolverá.
O voto escolhe representantes. Depois da eleição começa a parte mais difícil: acompanhar, fiscalizar e cobrar.
O cidadão que vota não pode desaparecer politicamente no dia seguinte. Precisa acompanhar o que seus representantes fazem, verificar se promessas são cumpridas e exigir transparência.
A responsabilidade não termina diante da urna.
Ela começa ali.
O Brasil não precisa de salvadores. Precisa de instituições fortes, cidadãos conscientes e governantes que compreendam que exercer o poder significa servir ao interesse público.
Neste 4 de outubro, cada brasileiro possui uma responsabilidade que não pode ser terceirizada.
Votar é escolher. Mas escolher também significa assumir responsabilidade pelas escolhas.
O próximo presidente terá a oportunidade de governar um país dividido, mas não condenado à divisão.
Poderá aprofundar a polarização ou procurar reconstruir pontes. Poderá administrar para grupos específicos ou buscar uma agenda verdadeiramente nacional. Poderá transformar o poder em instrumento de disputa permanente ou compreendê-lo como serviço à sociedade.
A história julgará os governantes.
Mas, antes disso, a consciência de cada eleitor precisa responder diante da urna.
Que o voto seja livre.
Que seja consciente.
Que seja responsável.
E que, acima das disputas partidárias, permaneça aquilo que deveria unir todos os brasileiros: o desejo de ver o Brasil mais seguro, mais justo, mais próspero, mais livre e capaz de oferecer um futuro digno às próximas gerações.
Parabéns, professor!
ResponderExcluirBom artigo!
ResponderExcluirArgumento equilibrado!
ResponderExcluirSim, o brasil precisa avançar!
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